Ninguém consegue garantir o primeiro lugar no Google. A própria Google o diz no seu guia de SEO: não há segredos que ponham um site automaticamente em primeiro. E na pesquisa local é ainda mais claro: não há forma de pedir ou pagar por uma posição melhor.
O que se pode fazer é dar à Google, e cada vez mais aos assistentes de IA como o ChatGPT, tudo o que precisam para perceber o que a sua empresa faz, onde, e porque é de confiança. Estas são as dez coisas que verificamos primeiro numa pequena empresa, pela ordem em que costumamos olhar para elas.
Um dos erros que mais vejo é a ficha do Google mal preenchida: sem serviços associados, com números de telefone desatualizados e, muitas vezes, sem ligação ao site, mesmo quando a empresa tem um. A isto junta-se a falta de avaliações, e as poucas que existem ficam sem resposta. — Fernando Carvalho
1. Comece pela ficha da empresa no Google
Para quem procura "dentista em Queluz" ou "carpintaria em Sintra", o primeiro sítio onde a sua empresa aparece muitas vezes não é o site. É a ficha no Google Maps, chamada Perfil da Empresa no Google.
A Google explica que os resultados locais dependem de três coisas: relevância (a ficha corresponde ao que a pessoa procura?), distância e notoriedade (quão conhecida é a empresa, incluindo avaliações e ligações).
O que fazer hoje: confirmar que a ficha está verificada e completa: categoria principal certa, horário real (incluindo feriados), telefone, site, serviços e fotografias verdadeiras do espaço e do trabalho.
2. Peça avaliações, e responda a todas
As avaliações contam para a notoriedade, e a Google recomenda responder-lhes. Uma resposta educada a uma crítica pode dizer mais sobre a empresa, a quem está a decidir, do que várias avaliações de cinco estrelas sem resposta.
O que fazer hoje: criar o hábito de pedir uma avaliação no fim de cada serviço, a todos os clientes e não só aos satisfeitos.
O que não fazer: oferecer descontos ou brindes em troca de avaliações, ou pedir só aos clientes satisfeitos. As regras da Google proíbem as duas coisas.
3. Uma página para cada serviço
Se a empresa faz implantes, branqueamento e ortodontia, e tudo aparece numa única página "Serviços", a Google tem dificuldade em perceber que é relevante para cada uma dessas pesquisas. O cliente também.
O que fazer hoje: listar os três serviços que dão mais negócio e garantir que cada um tem uma página própria, com endereço claro (por exemplo /implantes-dentarios), que explica o que é, para quem é, quanto tempo demora e como marcar.
4. Títulos que digam o que faz e onde
O título de cada página é o texto azul que aparece nos resultados. A Google pede que seja único, claro e que descreva com rigor o conteúdo da página. "Início" ou "Bem-vindo" não ajudam ninguém.
O que fazer hoje: rever o título e a descrição das páginas principais. Um bom modelo: serviço + zona + nome da empresa. Por exemplo, "Implantes Dentários em Queluz | Clínica X".
5. Escreva para clientes, não para a Google
Repetir a mesma palavra-chave muitas vezes não funciona. A Google classifica-o como spam. Num estudo académico sobre motores de pesquisa com IA (Aggarwal et al., KDD 2024), encher o texto de palavras-chave teve efeito nulo ou negativo.
O que fazer hoje: ler o texto de cada página em voz alta. Se soar estranho para um cliente, está escrito para a máquina.
6. Mostre quem está por trás
Nas suas orientações sobre conteúdo útil, a Google diz que, entre os critérios de qualidade (experiência, conhecimento, autoridade e confiança), a confiança é o mais importante. E pergunta: é evidente para quem visita o site quem escreveu o conteúdo?
O que fazer hoje: ter uma página "Sobre nós" com nomes, fotografias reais e a experiência de quem trabalha na empresa. Nos artigos, indicar o autor. Para uma pequena empresa, a cara do dono é um ativo.
7. Um site rápido no telemóvel
A Google usa a versão para telemóvel do site para indexar e ordenar os resultados. Se o site for lento ou difícil de usar no telemóvel, é essa a versão que conta.
A Google também confirma que usa as métricas de experiência da página (Core Web Vitals) nos seus sistemas de ordenação, embora o conteúdo relevante venha primeiro. Os limiares considerados "bons" são: conteúdo principal visível em até 2,5 segundos, resposta a um toque em até 200 milissegundos, e a página não "saltar" enquanto carrega.
O que fazer hoje: pôr o endereço do site no PageSpeed Insights (gratuito, da Google) e ver o resultado para telemóvel. Se o resultado for fraco, comece por ver o tamanho das imagens: é das correções mais simples de fazer.
8. Responda às perguntas que os clientes fazem
Quem pesquisa faz perguntas: "quanto custa", "quanto tempo demora", "dói", "fazem ao sábado". Se o site responde de forma direta, a página é útil para a pessoa e fácil de citar para um assistente de IA.
O mesmo estudo de 2024 testou que tipo de conteúdo os motores com IA mais aproveitam nas respostas. Citar fontes credíveis e incluir números e dados concretos estiveram entre as táticas com maior efeito, com ganhos de visibilidade até cerca de 40% nos testes.
O que fazer hoje: juntar as dez perguntas que mais ouve ao telefone ou ao balcão e responder a cada uma, em duas ou três frases, numa secção de perguntas frequentes.
9. A mesma informação em todo o lado
Nome, morada e telefone têm de ser iguais no site, na ficha do Google, nas redes sociais e nos diretórios. A Google pede informação completa e exata; quando cada sítio diz uma coisa diferente, nem a Google nem o cliente sabem qual é a certa.
A isto junta-se uma camada técnica, os dados estruturados: um pequeno código no site que diz à Google, de forma explícita, o que é a empresa, onde fica e o que faz. A Google explica que ajudam a perceber a página. Não garantem uma posição melhor, mas eliminam ambiguidade.
O que fazer hoje: pesquisar o nome da empresa e confirmar que o telefone e o horário são iguais em todos os resultados.
10. Deixe os assistentes de IA ler o site
Cada vez mais pessoas perguntam ao ChatGPT ou ao Perplexity "qual é uma boa clínica dentária em…". Estes serviços usam robôs para ler os sites. A OpenAI diz na sua documentação que os sites que bloqueiam o robô de pesquisa dela (OAI-SearchBot) não aparecem nas respostas de pesquisa do ChatGPT.
Pode acontecer um site bloquear estes robôs sem o dono saber, por causa de uma configuração de segurança ou do alojamento.
O que fazer hoje: pedir a quem gere o site para verificar o ficheiro robots.txt e as regras de firewall, e confirmar que os robôs de pesquisa de IA não estão bloqueados.
Como saber se está a resultar
Registe a empresa no Google Search Console (gratuito). Mostra para que pesquisas o site aparece, em que posição e quantas pessoas clicam.
E tenha paciência com prazos. Segundo a Google, algumas alterações têm efeito em horas, outras demoram meses, e o recomendado é esperar algumas semanas antes de avaliar. Desconfie de quem prometer resultados garantidos em dias.
Fontes
- Google Search Central, Guia de introdução à SEO
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google, Como melhorar a classificação local
- Google Maps, Política de conteúdo contribuído pelos utilizadores — interação falsa
- Google Search Central, Criar conteúdo útil, fiável e centrado nas pessoas
- Google Search Central, Indexação centrada em dispositivos móveis
- Google Search Central, Experiência da página
- web.dev, Core Web Vitals
- Google Search Central, Introdução aos dados estruturados
- OpenAI, Overview of OpenAI Crawlers
- Aggarwal et al., GEO: Generative Engine Optimization, KDD 2024